O poder que vem da natureza

Embelezamento para a pele, cura para a alma e relaxamento para a mente: são várias as aplicações das essências naturais

Mais do que um cheiro bom no ambiente, eles cuidam da pele, relaxam a mente e também ajudam no tratamento de inúmeras doenças físicas e mentais. O poder de substâncias extraídas da natureza tem sido utilizado há milênios, com técnicas diferentes.

Uma das aplicações destas substâncias naturais é a aromaterapia. Você já percebeu que certos cheiros evocam lembranças, sensações e despertam emoções? O aroma do café coado na hora que lembra a infância, o perfume que remete a alguém especial. Baseado no olfato é que também age a aromaterapia – considerada a ciência do uso de substâncias aromáticas naturais – uma arte terapêutica de causas e efeitos consagrados por 4 mil anos de comprovação.

Com o objetivo de promover o equilíbrio mental e energético do ser humano, são utilizados óleos essenciais extremamente puros extraídos de diversas plantas. “Sempre digo que se cuidar do emocional, você cuida de tudo. A maioria das doenças e problemas estéticos vem de um desequilíbrio emocional”, afirma a aromaterapeuta Kátia Sakugawa, de Ota (Gunma).

Tecnicamente, pouco do que é popularmente chamado de aromaterapia poderia ganhar essa denominação. “Aromaterapia é a aplicação de óleo essencial, puro ou diluído, por meio de difusão, massagem, banho, fricção, pulverização, compressa, inalações e escalda-pés, com finalidade de tratamento”, explica o osmólogo Fernando Amaral.

A inalação, massagem, compressas e banhos com esses óleos já têm a eficácia reconhecida em diversos segmentos da beleza, estética e, principalmente, na saúde, como método complementar e alternativo. Kátia explica que ajuda também o paciente a se auto-conhecer e a descobrir as causas dos problemas. “O ser humano é único, cada um teve a sua criação e experiência desde o nascimento. Tem pessoas que trazem traumas da gestação.”

A aromaterapia pode ser utilizada por crianças e até idosos. O período de tratamento varia conforme o paciente. “Se a pessoa utilizar e começar a se olhar, pode melhorar em 15 dias. Somos únicos, então a melhora depende de cada um”, afirma Kátia.

Apesar de poder ser utilizada como forma de tratamento complementar, os óleos essenciais também possuem algumas contra indicações. É o caso dos pacientes que se tratam com remédios homeopáticos. “Existem óleos essenciais que anulam o efeito da homeopatia. Por isso, é muito importante consultar sempre um profissional de aromaterapia qualificado”, reforça a profissional.

Ela alerta também quanto à forma de utilização destas substâncias. Ainda de acordo com Kátia, por serem 100% concentrados, jamais devem ser ingeridos, somente inalados – com o uso do aromatizador ambiental ou difusor pessoal – ou usados topicamente, por meio de banhos, compressas e massagens. “Experimente colocar uma gota de óleo essencial em um copo plástico. Ele será corroído, imagine o que irá fazer com a parede do estômago, é uma questão de consciência”, justifica.

No caso do uso tópico, os óleos essenciais também devem ser sempre diluídos em outros óleos vegetais. Os únicos que podem ser aplicadas diretamente na pele são a lavanda e o tea tree, devido suas propriedades. “Tanto a forma inalada quanto a tópica trabalham de forma sutil, mas eficiente”, diz a terapeuta, que trabalha com 39 óleos essenciais, que também podem ser combinados entre si, dependendo do problema do paciente.

Problemas mais comuns
Entre os pacientes, Kátia revela que são comuns os casos de depressão, insônia, estresse, problemas respiratórios e perda de apetite sexual. Terapeuta há dez anos, a profissional acredita que o desequilíbrio emocional aqui é mais intenso do que no Brasil, seja entre os brasileiros como também os próprios japoneses. “É devido à cultura do país, além da pressão do trabalho, a falta de comunicação e amor ao próximo”, analisa a profissional.

Já na estética e beleza, a aromaterapia pode ser utilizada em tratamentos faciais, corporais e também capilares. Nestes casos, a terapeuta utiliza óleos diluídos em óleo vegetal, sabonete ou gel, e aplicados diretamente no local.

“Natureba” confessa, Kátia só se trata com remédios naturais. “Por exemplo, nestes dias de frio, que dá aquela dorzinha de garganta, ao invés de já tomar remédio, faço gargarejo com gerânio e tea tree diluídos em mel, um anti-séptico e outro anti-inflamatório que tem ação imediata”, diz ela, que adotou este estilo de vida há 12 anos, quando começou um curso de naturopatia (cura por meio de métodos naturais) no Brasil.

Patrícia Emi Matsuhashi, 27, de Isesaki (Gunma), também tenta evitar, ao máximo, o uso dos medicamentos. Adepta da aromaterapia, sempre recorre aos óleos essenciais para tratar gripes, dores de cabeça ou simples picadas de inseto. Até mesmo para a recente influenza que ela e as filhas, Bianca, 9, e Ana Carolina, 7, tiveram, a brasileira utilizou os óleos para tratar a febre alta. “A melhora foi mais rápida, em quatro dias já estávamos recuperadas. Além disso, não consumimos tantos remédios”, diz ela, que começou a utilizar a aromaterapia depois que descobriu que a caçula tinha asma.

Atualmente, os óleos essenciais também ajudam na recuperação da filha mais velha. Em setembro de 2008, a garota foi submetida a uma cirurgia de retirada de um tumor no cérebro no Japão. Para ajudar na recuperação dos movimentos perdidos por causa da cirurgia e também do tumor, Bianca começou a utilizar uma combinação de óleos. “Minha filha não movimentava nem o ‘dedo’. Os médicos tentavam a fisioterapia, mas não conseguiram, ela não deixava, tinha muito sono”, lembra a mãe. Em janeiro, depois de muitas massagens com óleo e banhos, Bianca readquiriu os movimentos perdidos, e hoje, já anda normalmente.

Atualmente, os óleos também ajudam a pequena na controlar o estresse e também a recuperar a auto-estima. Patrícia percebe que a filha está mais calma. “Não é muito barato, mas o resultado satisfatório e vale a pena. É muito melhor do que intoxicar o corpo com muitos medicamentos”, conclui ela.

História
O olfato é feito para atrair, proteger e reproduzir. Se a pessoa sente um cheiro bom, sabe que é uma coisa curiosa, gostosa, vai conferir. Alguém pintando a parede? O nariz percebe que aquilo faz mal, é tóxico, e age como protetor. Já o perfume de uma pessoa pode ser sedutor ou repulsivo, depende de quem cheira (e a última coisa que as pessoas fazem é cheirar o outro). “O seu odor corporal nunca é mascarado por um perfume. É o odor corporal que determina nossa escolha. Se a química não bate, não acontece“, garante a aromaterapeuta Samia Maluf, que usa terapia vegetal há quase 30 anos.

Como surgiu a aromaterapia? Diz a história que, em 1928, René-Maurice Gattefossé queimou as mãos nos laboratórios de sua empresa de cosméticos e tentou resfriá-las mergulhando o braço em um recipiente que continha óleo de lavanda. Para sua surpresa, em uma semana estava curado. Isto o levou a investigar outras possíveis propriedades curativas dos óleos aromáticos e, por volta de 1937, ele criou o neologismo ‘aromaterapia’.

“Desde o dia em que nascem até quando morrem, as pessoas são bombardeadas por aromas, mas não costumam dar muita atenção”, ressalta Samia. O aroma já não faz mais parte da sobrevivência. Antigamente, era vital para evitar a ingestão de comida putrefata (e fedorenta) ou manter a espécie longe de plantas que tinham odor mais forte e poderiam ser tóxicas. Ela garante que as essências são capazes de ativar o sistema nervoso, ativando a memória. Cada aroma desperta lembranças que, aliadas às características de cada planta, gera ganhos terapêuticos para corpo e mente. “Os cítricos, por exemplo, são alegres, energizantes, antidepressivos”, diz.

Florais de Bach
Algumas gotinhas diárias ajudaram Sueli Gushi, 47, de Kawasaki (Kanagawa), a administrar as pressões emocionais do dia-a-dia. No verão do ano passado, por indicação de uma amiga, a brasileira começou a se tratar com os florais de Bach. “Vivia ansiosa, agitada. Era muito estressada”, lembra ela, que logo no primeiro mês de tratamento já se sentia mais tranquila.
Tratar o estado de ânimo e temperamento da pessoa, ao invés de tratar as doenças físicas. Este é o princípio dos florais de Bach, que utiliza as essências de flores e plantas para o tratamento de inúmeras enfermidades.

A terapeuta floral, Thania Monteiro, de Tóquio, explica que essas essências não são medicamentos. Segundo ela, os florais têm caráter preventivo e podem agir antes da manifestação emocional, mental ou física da desarmonia. “Na prática terapêutica alguns sintomas emocionais, mentais ou físicos tendem a desaparecer quando encontramos as verdadeiras causas”, explica. “Quando o sistema físico, mental ou emocional do indivíduo, encontra-se comprometido, os florais deverão ter uma atuação complementar aos cuidados médicos, psiquiátricos ou psicológicos necessários e adequados”, completa a terapeuta.

Antes de iniciar o tratamento é feito um questionário para a avaliação e escolha dos florais – no máximo seis – a serem utilizados pelo paciente, conforme a hierarquização dos sintomas. A fórmula é composta por água e vinagre – ou conhaque. É recomendada a dose de quatro gotas, quatro vezes ao dia (ao acordar, ao deitar e mais duas vezes durante ao dia).

Sueli conta que o tratamento com os florais é simples, e pode ser utilizado paralelamente aos medicamentos de uso contínuo. É o caso dela, que possui ponte de safena e há alguns anos realizou transplante de rins. “Não interfere nos medicamentos que utilizo. Não tem horário fixo, e o frasco pequeno pode ser levado a qualquer lugar.”

Aos poucos, ao sentir melhoras nos sintomas, a brasileira diminuiu a frequência do uso das essências. Atualmente, ela recorre às “gotinhas” somente quando sente necessidade, cerca de três vezes por semana. “Acho que tudo é válido tentar”, justifica Sueli, há 17 anos no Japão

Como agem os florais

Para o médico e bacteriologista inglês Edward Bach, a saúde física depende do nosso modo de pensar, dos nossos sentimentos e emoções. Na década de 30, Bach identificou um sistema de 38 remédios, a partir de essências das flores e plantas. Para cada estado de ânimo, o médico encontrou uma planta e criou uma essência para tratá-los, conhecidos hoje como os florais de Bach.

Para melhor orientar quem os utiliza, os florais foram divididos em sete grupos: medo, solidão, incerteza, cuidados excessivos com os outros, desespero, hipersensibilidade, desespero ou desânimo.

De acordo com a terapeuta Thania Monteiro, tanto as doenças físicas – alergias, problemas no sistema digestivo e circulatório, menopausa, vícios, entre outros – quanto as emocionais – ansiedade, ciúme, obsessão, traumas, entre outros – podem ser tratadas com as essências.

O tratamento é indicado a bebês, crianças, adultos, idosos, animais e até plantas. A duração varia conforme o paciente, que deve continuar também com tratamento realizado.

Entre os pacientes que atende no Japão, Thania afirma que há muitos casos de síndrome do pânico, estresse, nervosismo, mágoas do passado, cansaço, entre outros. “Aqui no Japão existem muitas pessoas necessitadas de uma terapia alternativa, como os florais, mas por falta de conhecimento não procuram e sofrem com vários males.”

Foi também por causa desses mesmos sintomas que a terapeuta buscou o tratamento com os florais de Bach. “Por causa de muito trabalho, estava muito estressada”, recorda ela, que está no Japão há 16 anos.

Por indicação de uma amiga, Thania começou o tratamento com o Rescue Remedy (remédio de socorro imediato). A combinação de cinco flores ajuda no regaste do equilíbrio emocional em situações de emergência ou de muito estresse. “Gostei muito do resultado e sempre que voltava ao Brasil, consultava um terapeuta floral e mandava manipular a fórmula indicada para o momento”, lembra a brasileira.

Ao acompanhar os resultados positivos em amigos e familiares, Thania resolveu especializar-se na terapia floral, há um ano. Além disso, também é adepta da aromaterapia e da cromoterapia, o tratamento através de cores. “Sempre fui ligada a esses tipos de terapias e acredito no resultado positivo”, diz ela.

Alguns óleos essenciais

Bergamota: Antidepressivo, antiviral, revigorante, controla a ansiedade e insegurança, acnes;

Cipreste: Indicado para asma, tensão nervosa, retenção hídrica, celulite, hemorróidas, odor, ativa a concentração;

Erva Doce: Anti-inflamatório, diurético, expectorante e estimulante do sistema glandular, melhora a TPM e auxilia na produção do leite materno;

Grapefruit: Antidepressivo, controla a ansiedade e a vontade de comer, diurético, indicado para a celulite;

Hortelã Pimenta: Alivia náuseas, má digestão, enxaqueca. Indicado para gripes e resfriados;

Laranja: Reforça o sistema imunológico, estimula a circulação e traz alegria;

Lavanda: Cicatrizante, benéfico para asma, bronquite, gripe e resfriado. Alivia a insônia e a depressão;

Limão: Diminui o estresse, fortalece o sistema imunológico e a concentração;

Manjerona: Indicado para dores reumáticas, artrites, hipertensão, insônia e tensão nervosa;

Olíbano: Clareia a mente e acalma, fortalece os alvéolos, prolonga a respiração, protetor espiritual;

Tea Tree: Poderoso antibactericida, fungicida e antiséptico;

Ylang Ylang: Regula a ansiedade, reconfortante, equilibra a pressão arterial e dos batimentos cardíacos e resgata o amor próprio.

Doenças que podem ser tratadas com os florais de Bach
Físicas: alergias, amnésia, anemia, anorexia nervosa, colesterol, cólicas, coma, doenças venéreas, envelhecimento, estomago, febre, fadiga, problemas no fígado, hemorróidas, infecções, labirintite, menopausa, mioma, obesidade, pneumonia, pressão arterial alta e baixa, psoríase, queimaduras, reumatismo, rins, sistema digestivo e circulatório, TPM, taquicardia, tireóide, tremores, úlcera, varizes, vícios, vômito.

Emocionais: aborrecimento, acanhamento, adolescência, aflição, agitação, agressividade, amargura, ansiedade, auto-estima, carência afetiva, ciúme, comunicação, concentração, confiança, coragem, criatividade, crítica, culpa, depressão, cansaço, desânimo, desinteresse, energia, equilíbrio, esgotamento, fanatismo, frustrações, histeria, infância, insônia, impaciência, indecisão, insatisfação, intuição, irritabilidade, mágoas, medos, memória, negativismo, nervosismo, neurose, obsessão, ódio, orgulho, pânico, personalidade, preconceitos, psicopatias, raiva, solidão, temperamentos, transtornos, traumas, tristezas, vícios, vergonha.

 

Materia publicada no site: http://www.alternativa.co.jp/Noticia/View/2678/O-poder-que-vem-da-natureza?fb_comment_id=756272084400083_1114132128614075#f2ed0be74832918

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